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Manto mágico para o menino Lucas

Seguir as pisadas do ídolo com o 14 nas costas

De geração em geração. É mais ou menos assim que a paixão tem passado. Aos 36 anos, Delfim Castro, pai de Lucas, veste a camisola 14 do Águas Santas, depois de uma carreira em que conta, entre outros clubes, com passagens pelo Felgueiras, Portosantense, Valonguense e Canidelo. Habituado a ver o pai a jogar desde o tempo em que andava ao colo da mãe Alexandra, o maior sonho de Lucas é seguir as pisadas do ídolo. “Quero jogar no Águas Santas porque é a terra do meu pai. E também porque é o clube onde ele está. É o meu ídolo”, disse. Entre sorrisos, Delfim confidenciou ao JN que o filho “já nem dorme” a pensar no futebol. Uma bonita história que só agora está a começar.

Natal é sinónimo de partilha, gratidão e família. E é, também, uma época festiva em que o consumismo, os gastos e as prendas dominam as agendas. Mas nesta quadra das fantasias, em que tudo parece ser possível, foi o sonho mais humilde que chamou a atenção.

O cenário foi a Vila Natal de Óbidos. As luzes e decorações coloridas serviram como pano de fundo à entrevista de um canal televisivo português, que colocou Lucas Duarte nas bocas do futebol distrital. Tudo porque ao invés dos desejos habituais, como consolas, videojogos e brinquedos, o menino de cinco anos, natural de Santa Maria da Feira, pediu um equipamento e também um fato de treino do Grupo Desportivo de Águas Santas.

Quando o fez, Lucas nunca imaginou que o pai natal fosse chegar mais cedo. No passado domingo, antes do jogo que colocou frente a frente o Águas Santas e o São Félix da Marinha a contar para a 12º jornada da 1º divisão da Associação de Futebol do Porto, metade do desejo tornou-se realidade. “Um pedido destes, em direto para uma televisão nacional, mexe com o coração de qualquer um. Fiquei sensibilizado e ao mesmo tempo orgulhoso. Graças ao Lucas, o Águas Santas foi falado para milhares de pessoas. Oferecemos o equipamento com todo o gosto. Era o mínimo que podíamos fazer.”, disse Jorge Lessa, presidente do clube maiato, em conversa com o JN.

Numa altura em que o consumismo é nota dominante, a aura do pequeno Lucas serve como lição de simplicidade. Em janeiro, o jugo e a capoeira vão ser trocados pela grande paixão; o futebol, nas escolinhas do Águas Santas. Até lá, o menino espera ansiosamente pelas chuteiras, pelas caneleiras e pelo fato de treino. Três pequenos pedidos que só podem ser “abertos” à meia noite do dia 25.

Ricardo Rocha Cruz
desporto@jn.pt